• Quinta do Monte Xisto

Quinta do Monte Xisto

Portugal
Ano de criação:
2005
Enólogo:
João Nicolau de Almeida e filhos

É difícil encontrar um enólogo que conheça tão bem as curvas, as encostas e as profundezas do Vale do Douro como João Nicolau de Almeida. Filho de um dos maiores protagonistas da região – Fernando Nicolau de Almeida, o mentor do mítico Barca Velha –, João nasceu e cresceu no universo do vinho. Seu tio José Ramos Pinto Rosas levou-o para a casa Ramos Pinto, em 1976. E lá ficou até 2015 como diretor geral. Entre suas contribuições mais relevantes para a região foi ter conduzido o projeto que identificou as cinco castas tintas mais apropriadas para o Douro e ter introduzido a plantação da vinha ao alto e sua mecanização. Quem acompanha os vinhos portugueses sabe que João Nicolau de Almeida pertence ao olimpo da enologia lusa.

Seja pelo DNA, a experiência acumulada ou o instinto visionário – ou por tudo isso combinado –, quando, em 1993, deparou-se com um terreno rochoso, um monte de xisto literalmente, entre 200 e 300 metros de altitude, parte com exposição a norte e parte a sul, percebeu que havia encontrado um oásis para grandes vinhos. Levou 12 anos para conseguir reunir parcela por parcela dos 40 hectares que hoje formam a Quinta do Monte Xisto – pois pertenciam a muitas famílias diferentes. No início do milênio, já com dois filhos, Mateus e João, formados em enologia, juntou esforços e vontades para plantar os vinhedos e semear um projeto de cunho familiar. Precisou de um ano inteiro para quebrar o xisto e acomodar as videiras. A filosofia de cultivo é orgânica com princípios da biodinâmica. Nos 10 hectares de vinhas, além das castas tintas mais emblemáticas, como Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão e Sousão, coexistem outras menos conhecidas: Tinta da Barca e Tinta Francisca. Entre as brancas, a Rabigato.

Fazer um vinho topo de gama leva tempo e João Nicolau de Almeida e seus filhos não tinham pressa. Lançaram o Quinta do Monte Xisto na colheita 2011, quando toda a família aprovou o corte final com Touriga Nacional e Franca e uma pequena dose de Sousão. As 6.000 garrafas produzidas em cada colheita são sempre muito disputadas no mundo, já que as mais importantes publicações especializadas indicam o Quinta do Monte Xisto sempre entre os grandes tintos do país. “É uma referência de topo entre os vinhos nacionais. Um prêmio especial para uma família que respira Douro há muitas gerações”, escreveu a Revista de Vinhos.

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