• Quinta da Touriga

Quinta da Touriga

Enólogo:
João Brito e Cunha (enólogo consultor) e Jorge Rosas (produtor)

Apesar de ser um jovem produtor, Jorge Rosas não é um novato no mundo do vinho. Sua linhagem tem a chancela Ramos Pinto – ele é bisneto de António Ramos Pinto, irmão e sócio de Adriano, fundador da secular casa de Vinho do Porto. Seu pai, José António Ramos Pinto Rosas, é outra figura emblemática, entrou para a história como o “Profeta do Douro” graças a sua enorme dedicação ao desenvolvimento da viticultura nessa região demarcada.

Jorge Rosas cresceu entre os socalcos do Douro e herdou, em 1996, a Quinta da Touriga, uma propriedade na subregião do Douro Superior. Os 10 hectares de vinhedos haviam sido plantados pelo pai, que ambicionava fazer no antigo monte abandonado, adquirido no início dos anos 1990, sua “quinta perfeita”. José António foi visionário ao apostar no Douro Superior e ao plantar grande parte dos vinhedos (80%) com a casta Touriga Nacional (vem daí o nome do projeto), que naquela época ainda não tinha o prestígio de agora. Hoje, essa uva é valorizada como a rainha das variedades portuguesas. Jorge deu continuidade ao sonho do pai, produzindo a partir da colheita 2001 um tinto excepcional, que se consagrou entre os grandes vinhos portugueses.

O Quinta da Touriga-Chã (chã significa planalto) já se destacou quatro vezes no TOP 10 Vinhos Portugueses da Essência do Vinho. É uma performance extraordinária. A especialista britânica Jancis Robinson também já recomendou o vinho na sua restrita seleção de tintos durienses. Elaborado majoritariamente com Touriga Nacional e menor proporção de Touriga Franca, com maturação em barricas de carvalho francês novas e usadas, é um tinto intenso, volumoso e vibrante, com uma finesse surpreendente. Pode ser apreciado jovem, mas também promete envelhecer lindamente.

O tinto Puro, segundo vinho de Jorge Rosas, foi concebido em homenagem ao bisavô António Ramos Pinto e reflete a filosofia não-intervencionista do produtor. “É um tinto acessível no estilo e absolutamente consensual porque está difícil resistir-lhe”, definiu o crítico português João Paulo Martins. O corte é semelhante ao do Quinta da Touriga-Chã (Touriga Nacional e Touriga Franca), sendo que o Puro estagia totalmente em barricas usadas. Com esses dois tintos de alta gama, Jorge Rosas vem se destacando como um nome forte no panorama do vinho português, assinando vinhos de pequena produção e cheios de complexidade e caráter.

FOTOS E VÍDEOS